Pular para o conteúdo principal

Revista MEVAM

Ministração original: Pr. Saulo Vianna, mensagem «Nova Mente». Produção editorial: MEVAM Campinho. Reflexão desenvolvida a partir da pregação.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

O que significa renovar a mente em Cristo?

Muitos de nós já temos uma caminhada longa com o Senhor e, por muitas vezes, é possível que já tenhamos entregado o nosso coração, mas ainda não entregamos a nossa mente. A nossa mente fala daquilo que pensamos, do que achamos certo, das nossas convicções, e entregar a mente não tem a ver com acreditar em Deus ou entregar a vida a Ele em um apelo feito, mas é muito mais do que isso. O evangelho é confronto.
Hoje tem sido pregado um evangelho de autoajuda, onde nós teremos todos os nossos problemas resolvidos, onde tudo dará certo, onde somos mais que vencedores, mas nos esquecemos que a vitória que precisamos ter é contra o pecado.
O cristão não celebra o que Cristo não celebra, e renovar nossa mente se trata de ter que ser radical em muitas coisas. Não tem como vivermos dias emocionados de culto em culto, de palavra em palavra, de mover em mover, enquanto Deus está esperando o nosso posicionamento na segunda-feira.
O mundo está combatendo forte os jovens, adolescentes, os casamentos e precisamos dar uma resposta à altura do que o mundo está esperando. E essa resposta é o nosso sacrifício vivo, somos nós reconhecendo quem nós somos, e mais importante que isso, reconhecendo quem nós não somos. Só assim podemos virar a chave na nossa mente e entrarmos em um novo nível com o Senhor, onde vemos o poder manifesto, estreitamos o relacionamento e entregamos tudo.
O Senhor está nos trilhando um caminho e esse caminho nos leva a cruz, mas algo que precisamos entender são os três significados distintos da palavra “Santo”. Santo todos nós somos, porque fomos lavados e remidos pelo sangue, mas todos nós precisamos viver em santificação, que é o processo para nós alcançarmos a santidade.
Quando entendemos isso, começamos a perceber que a santidade não é para fazer com que alcancemos algo, pois, por muitas vezes, tratamos o evangelho e a Jesus como um amuleto, mas a santidade é para refletir a pessoa de Cristo. Quando começamos a encarnar o evangelho com uma responsabilidade maior do que simplesmente sermos felizes e nos darmos bem, entendemos que o evangelho é um processo de santificação para que possamos refletir o lugar aonde nós fomos gerados: a eternidade.
Então a nossa luta contra o pecado não é simplesmente porque pecamos, mas sim porque precisamos de fato voltar à raiz. O fato de pecarmos nos afasta do Senhor, faz com que Jesus não esteja perto, nos distancia dele e faz com que a gente não reflita a imagem de Cristo aqui na terra.
“O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro.” (Efésios 4:14)
Deus não conta com meninos. Por isso, precisamos renovar a mente porque o Senhor está querendo nos transformar até a imagem de varão perfeito, fazendo com que cresçamos.
Os dias em que estamos vivendo não estão para brincadeira. Isso parece óbvio, mas o óbvio também precisa ser dito, se não vivemos uma vida de evangélico onde o evangelho muda tudo menos o meu eu. O evangelho muda a nossa playlist, muda nossa canção, mas não muda o nosso posicionamento. Nesses dias, o Senhor quer que nós possamos renovar a nossa mente para que, renovando a nossa mente, mudemos o nosso comportamento, até que isso reflita a imagem de Cristo.

A conversão é o começo da caminhada, não o fim dos desafios

Uma das primeiras provocações da ministração é que entregar o coração a Jesus não significa ter concluído a caminhada cristã. Saulo Vianna lembra o momento em que alguém responde a um convite de fé e explica que ali começa um processo de transformação. A pessoa continua enfrentando dificuldades, mas passa a examinar o que pensa, como reage e quais hábitos precisam ser abandonados. Para o pastor, essa é a diferença entre declarar uma convicção e permitir que ela oriente a vida.

O pregador também confronta a expectativa de que o Evangelho funcione como uma garantia de sucesso em todas as áreas. Sua mensagem não é que os problemas desapareçam após uma oração. Ao contrário, ele afirma que a presença de Cristo dá sentido e esperança à caminhada mesmo quando ainda existem conflitos e responsabilidades difíceis. O convite é conhecer Jesus com profundidade, sem transformar a fé em uma promessa de conforto permanente.

Romanos 12: uma entrega que envolve corpo, pensamentos e decisões

Saulo começa a leitura em Romanos 12:1, antes de chegar ao versículo sobre a renovação da mente. Ele destaca a expressão sacrifício vivo para mostrar que a resposta a Deus não fica limitada a uma declaração feita durante o culto. Aquilo que pensamos, dizemos e praticamos também precisa ser apresentado diante do Senhor. A transformação descrita por Paulo envolve a vida concreta, não apenas uma mudança de vocabulário religioso.

Na aplicação do pastor, essa entrega inclui abrir mão de comportamentos que antes pareciam normais. Pode ser a maneira de tratar alguém, a insistência em defender uma atitude injusta ou a dificuldade de receber correção. Renovar a mente não equivale a parar de pensar por conta própria. É aprender a examinar as próprias certezas à luz do Evangelho, reconhecendo que amadurecer também significa admitir que precisamos mudar de opinião e de comportamento.

Colossenses 3: a renovação também aparece naquilo que falamos

A transcrição dedica atenção especial a Colossenses 3. Saulo lê a orientação para buscar as coisas do alto e a relaciona com atitudes que se manifestam nas conversas mais comuns. O capítulo também fala de abandonar ira, malícia, palavras ofensivas e mentira. Por isso, a mudança da mente não é uma ideia abstrata. Ela se torna visível no modo de falar das pessoas, especialmente quando elas não estão presentes.

O pastor utiliza o exemplo de conversas que começam com uma crítica e acabam se transformando numa sequência de acusações. Ao final, alguém pode até dizer que não tem direito de julgar, mas já colaborou para espalhar comentários prejudiciais. A aplicação é bastante prática: antes de repetir uma informação, precisamos considerar sua veracidade, necessidade e efeito sobre o próximo. Isso não impede críticas legítimas ou denúncias de abusos. A questão é abandonar a maledicência e procurar a verdade com responsabilidade.

A renovação aparece quando conseguimos interromper uma conversa injusta, reconhecer um exagero ou escolher palavras que ajudem a resolver um problema. Para Saulo, esse tipo de atitude faz parte do sacrifício vivo mencionado em Romanos 12.

A fé precisa funcionar também na segunda-feira

Um contraste repetido na mensagem é o entusiasmo durante a reunião da igreja e as escolhas feitas depois dela. Saulo pergunta de que adianta cantar, emocionar-se e ouvir várias palavras se, na segunda-feira, a pessoa continua praticando aquilo que reconheceu como errado. O pregador usa situações do trabalho e dos relacionamentos para afirmar que a transformação precisa alcançar o ambiente em que passamos grande parte da semana.

Essa perspectiva não significa esperar uma vida sem falhas. Significa levar a sério a responsabilidade por aquilo que fazemos. No trabalho, isso pode envolver recusar uma prática desonesta, cumprir compromissos e tratar colegas com respeito. Em casa, pode exigir escutar antes de responder, reconhecer um erro ou abandonar palavras que ferem. Na comunidade, inclui não medir a fé somente pela emoção do encontro, mas pela disposição de cuidar de pessoas.

Nem toda escolha será simples, e algumas situações exigirão orientação e proteção. A integridade precisa caminhar com prudência. O ponto da mensagem é que o Evangelho não deve mudar apenas as músicas que ouvimos e os termos que utilizamos. Ele também precisa alcançar nossas atitudes quando ninguém está acompanhando.

Santidade é um processo, não uma forma de comprar bênçãos

Saulo volta ao tema da santidade e faz uma distinção entre a identidade recebida em Cristo e a caminhada de santificação. Segundo a ministração, não buscamos santidade como um passaporte para conseguir vantagens materiais ou reconhecimento espiritual. O objetivo é que nossa vida se torne mais parecida com a de Jesus. Por isso, a luta contra o pecado não pode ser reduzida a uma troca em que oferecemos bom comportamento esperando um resultado específico.

Essa explicação também ajuda a compreender por que o amadurecimento exige tempo. Aprender a agir com honestidade, controlar palavras e tratar pessoas com amor não acontece automaticamente depois de um encontro marcante. Existem hábitos que precisam ser reconhecidos, atitudes que exigem reparação e decisões que devem ser repetidas com constância. A graça não elimina essa responsabilidade; oferece um fundamento para vivê-la.

O pastor insiste que o chamado cristão vai além de buscar a própria felicidade. Uma vida transformada precisa expressar o caráter de Cristo também no serviço e no cuidado com o próximo. Não se trata de parecer superior a outras pessoas, mas de reconhecer a necessidade contínua de transformação.

Efésios 4: sair da instabilidade e crescer em maturidade

Ao citar Efésios 4:14, Saulo recorda a imagem das crianças levadas de um lado para outro pelas ondas e por diferentes ensinamentos. A passagem aparece na ministração como convite ao crescimento espiritual. Não basta depender sempre de uma nova experiência, de uma frase de impacto ou de uma confirmação externa para cada decisão. Precisamos desenvolver conhecimento da Palavra e capacidade de discernir.

O pastor relaciona essa maturidade à maneira de administrar dinheiro, lidar com pessoas mais velhas e responder às responsabilidades familiares. São exemplos de áreas nas quais podemos continuar repetindo hábitos imaturos mesmo depois de muitos anos frequentando a igreja. Crescer, nessa perspectiva, exige mais do que conhecer regras. Inclui compreender consequências, ouvir conselhos e aprender a agir com equilíbrio.

É importante notar que maturidade não significa independência absoluta. Pessoas adultas também precisam de ajuda e de comunidade. O ensino de Efésios aponta para uma fé fortalecida pela verdade e pelo amor, na qual o crescimento pessoal contribui para a edificação de outras pessoas.

Uma nova maneira de enxergar o caminho

Perto do fim da pregação, Saulo utiliza a imagem de um para-brisa que perdeu a transparência. Quem dirige tenta limpar o vidro para continuar enxergando, mas o pastor imagina uma mudança mais profunda: não apenas retirar a sujeira, e sim receber outra maneira de olhar. É uma comparação para falar de convicções tão antigas que deixamos de perceber como influenciam nossas decisões.

A aplicação não é abandonar toda experiência anterior ou desconfiar de tudo o que aprendemos. É reconhecer que algumas conclusões precisam ser revistas. Talvez alguém tenha se acostumado a reagir com agressividade porque cresceu cercado de conflitos. Outra pessoa pode interpretar toda crítica como rejeição porque viveu experiências difíceis. Perceber esses padrões é um passo importante, mas a transformação também pode exigir apoio, conversas seguras e tempo.

Renovar a mente, portanto, não significa apenas trocar pensamentos negativos por frases animadoras. Na mensagem de Saulo, significa permitir que a Palavra confronte nossos hábitos, reorganize nossas prioridades e influencie o modo de agir. A pergunta que fica é simples: qual atitude concreta precisa mudar para que o Evangelho seja percebido não só nas nossas palavras, mas também na vida que estamos construindo?

Como transformar a renovação da mente em prática?

A mudança de pensamento descrita em Romanos 12 não acontece apenas porque alguém decide falar de maneira diferente. As convicções se fortalecem à medida que aprendemos a avaliar escolhas à luz do Evangelho. Isso inclui reconhecer padrões que prejudicam nossos relacionamentos, buscar conhecimento das Escrituras e aceitar orientação quando percebemos que estamos repetindo comportamentos antigos.

Um bom começo é prestar atenção às reações automáticas. Quando surge uma frustração, qual é nossa primeira resposta? Quando alguém apresenta uma crítica, escutamos ou procuramos imediatamente uma defesa? Quando temos oportunidade de ajudar, pensamos apenas no próprio conforto? Essas perguntas não servem para produzir culpa sem saída, mas para tornar mais claras as áreas que precisam de crescimento.

A renovação da mente também exige comunidade. Podemos aprender por meio de conversas maduras, discipulado, oração e acompanhamento de pessoas experientes na fé. Transformação cristã não é construir sozinho uma versão melhor de si mesmo. É permitir que a vida seja continuamente orientada por Cristo e que essa orientação alcance atitudes observáveis no cotidiano.

Se você quer continuar estudando esse tema, leia também Não vos conformeis e Cristo é suficiente.

Assistir à mensagem no YouTube (Se não abrir no aplicativo, assista pelo navegador.)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *